Fim de Ciclo

Aproxima-se o instante fatal da derrocada
Sôfregos corcéis a custo são detidos
Átila, Gengis-Kan e Tamerlão
Contemplam uma vez mais a terra enraivecidos.

Um silêncio pesado envolve tudo
Fantasmas, pálidos, horrendos, pavorosos
Emergem do passado rancorosos
O Oráculo já não fala, ficou mudo.

Nas ruínas de Tróia fumegantes
Os carros de combate redivivem
Corcéis mordendo o freio, espumeiam
Guerreiros soturnos, olhos parados os dirigem.

Nas praias da Fenícia, as naus se aprestam
Não cantam os marujos, balbuciam
Orações, gemidos, surdo pranto
Uma dor profunda prenunciam.

Babilônia também surge do nada
Seus reis, seus templos, o próprio Touro Alado
Espectrais, serenos, majestosos
Todos de pé, o mesmo olhar parado.

No Egito, calcinado e milenário
O “simum” parece emudecido
Já não sorri a Esfinge, o seu sorriso
Está grave, atenta, o rosto endurecido.

Os faraós, os sumo-sacerdotes
Em suas vestes brilhantes majestosas
Estão de pé, voltados pro Ocidente
Olhar perdido em visões angustiosas.

Em Creta, o Minotauro está silente
Do Labirinto surgiram mil fantasmas
Belos mancebos, virgens lindas
Olhar esgazeado, faces pasmas.

Na vetusta Roma dos patrícios
Espectros horrendos enchem os circos
Mas não se ouvem mais os brados da chacina
Todos parecem escutar, os corpos hirtos.

O Capitólio, o Fórum, estão vazios
Tudo é silêncio imenso, é gravidade
Parece as pedras escutar atentas
Alguma voz falar na soledade.

Em Jerusalém, as “pedras choram”
O mudo pranto em sangue transformado
Num Cálice de ouro foi guardado
E lá no calvário, Alguém crucificado.

Mas, esse Alguém neste instante já não chora
Contempla o mundo também angustiado
E no seu peito o coração deplora
O sangue em vão por Ele derramado.

Na Grécia heróica, de um passado eterno
Sombras agitadas aparecem
Sócrates, Platão, o próprio Homero
Ali estão, de pé, se reconhecem.

Os soldados de Alexandre, ali estão
Imensas legiões de homens fortes
Saídos quem sabe, dos infernos
Olhar tristonho nos altivos portes.

Na Ásia imensa, multimilenária
Um rubro clarão empolga os povos
Um rugir de mar encapelado
Um povo a desejar domínios novos.

Multidão imensa enche os caminhos
Homens famintos, crianças andrajosas
Mulheres que se arrastam nos abismos
Pelo banquete da carne sequiosa.

Fim de um ciclo apodrecido e gasto
Ruína integral da humanidade
Mas ao longe no horizonte, mui distante
Surge uma luz de amor e caridade.

É essa luz que contemplam neste instante
Todos os povos do passado e de agora
É essa luz inatingível por milhões
Que ainda retarda a punição que se demora.

Mônadas ibero-americanas
A glória sem par conduz
Eis a luz do Ocidente
Esse Ocidente luz.

Brasil, Brasil, terra do fogo
Tua hora está chegando a cada passo
O último peregrino se aproxima
Fugindo ao desespero de um fracasso.

Depois, de norte a sul, leste a oeste
Se soltarão as pragas da desdita
E cairão sobre o mundo alvoroçado
A Guerra, o Domínio, a Fome, a Peste.

Foge peregrino, apressa o passo
O “Dias Irae” se aproxima.

(Brasília – 1960)

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