Como o Brasil entrou na crise atual

São Lourenço, 10 de setembro de 2015

Leiga em assuntos econômicos e políticos, porém preocupada com a situação do País, procuramos quem nos fizesse entender, em linguagem fácil, a origem da atual crise econômica. O Brasil é o país mais querido do nosso saudoso Mestre, Prof. Henrique José de Souza, considerado por ele Berço de uma Nova Civilização; daí nossa dupla intranquilidade. E como deve haver outras pessoas querendo igualmente compreender o controle ou descontrole das contas públicas… Resolvemos compartilhar a explicação abaixo.

A atual crise tem sua origem no início do primeiro mandato da presidente Dilma. Em 2011, quando ela assumiu o governo, um dólar valia em torno de R$ 1,70. Seu governo iniciou a desvalorização de nossa moeda de forma intencional. Foi esse o marco que começou a provocar o desarranjo da nossa economia com “pecados nada originais”. Ao contrário do que dizem certos economistas, essa desvalorização é altamente perniciosa para a economia do Brasil. Contribui para o aumento da dívida pública e também da dívida das empresas em Dólar. Eleva a pressão inflacionária, porque a nossa produção interna depende de 21% de insumos importados. A desvalorização do Real frente ao Dólar provoca aumento de preço desses insumos, que por sua vez é repassado ao produto final, gerando assim a inflação por pressão cambial. Ou seja, o aumento da inflação é provocado pelo próprio governo.

 

Um exemplo hipotético bem simples:

Digamos que uma empresa brasileira fabrica um Produto A, dependente de matéria prima importada, que custa $ 100 Dólares. No início de 2011 essa empresa pagava a bagatela de

R$ 170,00 (1,70×100=170) para importar essa matéria. Em 2015, com o dólar hoje, 10 de setembro, a R$ 3,80, a empresa paga pela mesma matéria prima o valor de R$ 380,00 (3,80×100=380). Por causa da desvalorização cambial ocorrida em 5 anos, houve um aumento de R$ 210,00 (R$ 380 – R$ 170 = R$ 210) no preço dessa matéria prima importada. Isso representa 123% de aumento para a empresa, que será obrigada a repassar ao preço final do Produto A. Dessa forma é gerada a inflação por pressão cambial provocada pelo próprio governo. Acontece o mesmo com a dívida das empresas em Dólares. Por exemplo, a dívida da Petrobras aumentou em R$ 74 bilhões de Reais só por conta da alta do Dólar. É muita grana!

 

Em seguida o governo comete outro erro: aumenta a taxa de juros (Selic) para combater a inflação que ele próprio gerou. Juros altos aumentam a dívida pública e o valor dos juros a serem pagos. Assim sobra menos dinheiro do orçamento para educação, saúde e investimentos públicos. Juros altos representam custo de produção para as empresas, que repassam para o produto final, gerando mais inflação. Além disso, a elevação da taxa de juros restringe o crédito, que diminui as fontes de investimentos, reduz a produção e dessa forma a economia acaba entrando em recessão.

 

Com a economia em recessão, os trabalhadores levam a pior com o aumento do desemprego. Também não há crescimento econômico. Em 2015 o Brasil deverá ter PIB (Produto Interno Bruto) negativo, isto é, o país irá crescer menos do que em 2014. Por causa disso, cai a arrecadação de impostos do governo. Para agravar essa situação o governo cometeu outro erro que contribuiu ainda mais para a queda da arrecadação: promoveu a desoneração fiscal, ou melhor, reduziu imposto sobre vários produtos. Então, em três anos o caixa do governo deixou de arrecadar cerca de R$ 458 bilhões. Como as despesas correntes continuam crescendo, as contas do governo, receitas menos despesas, não fecham no positivo, provocando o famoso déficit.

 

Para corrigir o problema o governo sempre lança mão do aumento de impostos ou das privatizações ou concessões, ou seja, venda do patrimônio público com o objetivo de arrecadar dinheiro. Por exemplo, em 2013 o governo Dilma vendeu 60% do maior campo de petróleo do Pré-sal, o Campo de Libra, para empresas estrangeiras. O dinheiro da venda serviu para equilibrar as contas daquele ano, mas ficamos sem a fonte de riqueza para o futuro. Este é o tipo de exemplo que podemos fazer analogia com a famosa fábula da “galinha dos ovos de ouro”. Ao invés de vender somente os ovos, vendeu a galinha (matou) e ficou sem os ovos do dia a dia.

 

Quando a receita é menor do que a despesa, a conta fecha no vermelho e começam a falar em crise econômica. Por sua vez, essa condição leva a crise política. É sempre assim. É um ciclo vicioso de sucessivos erros de gestão política e econômica influenciados pela escola ortodoxa neoliberal imposta pelo mercado financeiro. Trata-se de uma receita para afundar a economia de qualquer país. Assistimos a esse filme com o desastrado governo anterior ao do presidente Lula e agora se repete o mesmo com o de Dilma. A vítima, como sempre, continua a ser o nosso Brasil. Não é o que estamos assistindo?

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Contribuição de Zélia Scorza Pires

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