MENSAGEM DA SOCIEDADE “DHÂRAN” AO POVO BRASILEIRO

Redator       :           Dr. Cícero dos Santos

Data            :           Dhâranâ nº 0 – 2º Semestre de 1925

Atormentados por mil e um obstáculos e tendo-os de vencer um por um, retardamos a publicação da nossa Mensagem ao Povo Brasileiro, que deveria ser inserida no primeiro número da nossa Revista.

À vista da incerteza do seu aparecimento, resolvemos aceitar o seu gentil oferecimento do Exmo. Sr. Diretor do “O Estado”, que prontificou-se a inseri-la nas colunas do seu conceituado jornal. Hoje, repetimos a publicação nas páginas de Dhâranâ, para a sua maior divulgação possível em território pátrio e endereçamos a “O Estado” um sincero “muito obrigado” pela generosa solidariedade prestada à nossa Obra de propaganda moral.

I

O altruísmo é o mais nobre privilégio e trabalhar pelo mundo, é a mais alta recompensa da vida. Filosofias, Ciências e Religiões valem por aquilo que nos fizeram mais úteis à Fraternidade Humana. (A. B.)

1 – Que é “Dhâranâ”?

Uma Sociedade mental espiritualista criada no Brasil por determinação de uma das Confrarias Brancas do Oriente (sendo a quinta das sete espalhadas pelo mundo), e com o fim de tornar uma realidade, a Paz e a Fraternidade no planeta que habitamos.

Vejamos o que é uma Confraria se lhe assiste o direito de intervir nos destinos humanos e sociais, e no caso afirmativo, se o momento atual comporta essa intervenção.

Perde-se na noite dos tempos, a história da existência das Confrarias. Basta que se diga que saiam delas, os famosos Faraós, esses sapientíssimos administradores do antigo Egito, e cujos nomes ainda hoje despertam a curiosidade da História, porque sobre os seus despojos, sonegados ao silêncio e respeito multisseculares dos sarcófagos, reconstitui com facilidade, a vida feliz e gloriosa do país que gerara aqueles semideuses.

Nas Confrarias, pois, eram preparadas as personalidades que deviam exercer no mundo a atividade social que as necessidades do momento exigissem. Artes, comércio, ciência, indústria, política, religião, etc., tudo isto, era alimentado pela seiva sagrada que corria daqueles maravilhosos mananciais. Entretanto, existia ainda nas Confrarias do Oriente, um agrupamento de elite, destinada ao sacerdócio das Ciências Ocultas. Eram homens escolhidos e selecionados por uma iniciação especial e onde aquele que recebesse o grau de Adepto, havia revelado, exuberantemente, o valor indispensável para o seu penoso e delicadíssimo mister. E deste modo, quando a humanidade ia progressivamente se afastando do cumprimento dos seus deveres humanos e sociais, e que as nações compostas e dirigidas  pelas criaturas assim transviadas, chegavam ao apogeu da sua degradação, coincidia aparecerem no mundo certos indivíduos que, pela sua inteireza de caráter e de censura, profligavam o proceder dos corrompidos edificando o assombro dos auditórios pela sua linha austera de exemplar conduta.

O último destes iniciados pregadores foi Jesus, o Cristo. Antes do seu calvário físico de dor, Jesus se havia crucificado voluntariamente no madeiro mais pesado e mais cruel da Renunciação. Este sacrifício é complemento da mais alta das virtudes, a qual, praticada, dispensa a leitura dos volumosos códigos de moral humana, porque ela, sozinha, sintetiza todos os Decálogos de Amor e de Perdão. Esta virtude chama-se Altruísmo.

Examinemos atentamente os mandamentos de todas as Religiões e vejamos se todos eles não são um salutar convite para que cada homem cuide um pouco menos de si e lembre-se um pouco mais de servir à Deus e a seu próximo…

Pela Renúncia, abandonamos a pátria, a família e os amigos, as honras, os prazeres e os direitos sociais, e nos dedicamos exclusivamente à Humanidade… Pelo Altruísmo, não abandonamos as cousas e as pessoas, mas auxiliamos o seu uso e o seu progresso. A Renúncia produz iniciados. O Altruísmo gera a Fraternidade. Os primeiros vivem nas Confrarias, e os segundos, esparsos pelo mundo. É claro, portanto, que aqueles podem e devem intervir nos negócios que interferem com a evolução da Humanidade.

2 – Segundo a letra das Sagradas Escrituras, a Terra é visitada periodicamente pelos Missionários da Paz e da Concórdia, e a sua vinda é assinalada pelo aparecimento simultâneo de grandes cataclismos, guerras, miséria, epidemias, perturbações políticas, sociais e religiosas, tudo isso seguido do torpor natural em que fica o espírito humano, atordoado pelos flagelos que o acendiam e impotentes para os debelar. Os derivativos buscados na exacerbação de todos os gozos sensuais, só conseguem reafirmar mais a mesquinhez e a fragilidade dos míseros flagelados. E é justamente, no pandemônio da orgia dos sentidos que se esboça, nitidamente, o horrível contraste da Dor e da Miséria, dos que não podem tomar parte nas bacanais, levadas a efeito para disfarçar a degradação do gênero humano. E dessa forma, a majestade suprema do Rei da Creação, apeia-se desfigurada do seu trono de poder e de domínio e vem refocilar-se no tremedal dos crimes e dos vícios, imbecilizada totalmente pela embriaguez de tanto despautério!…

A Pátria fica sendo mito e a sociedade um prostíbulo onde se ajusta num comércio ignóbil, o preço de todas as cousas!… Aqueles que conseguiram escapar incólumes, dessa tremenda rajada de loucura, vão legislar grandes remédios para os grandes males, e assim vemos a Lei inexorável e forte: decretar a pena de morte, regularizar a prostituição, estabelecer penalidades para os que roubam, matam e se abastardam com o uso e abuso de tóxicos, criando hospitais, espalhando casas de detenção, difundindo hospitais, asilos, etc, etc, etc, tudo guardado pela força repressora, dum considerável exército policial, civil e militar.

Levantai o olhar destas linhas apavorantes de horrorosa descrição e passai em revista os acontecimentos mundiais… Lede os lacônicos telegramas do estrangeiro e os chistosos noticiários das desgraças humanas (a fonte que melhor abastece as colunas dos nossos jornais), para dizerdes em seguida à vossa própria consciência, a espécie de futuro que espera esta geração!

Durante quatro longos anos, o velho continente empestiou a atmosfera deste planeta, de cólera e de sangue, e emprega quase o dobro desse tempo, preparando o adubo onde estão sendo lançados os germens de novas guerras… A Rússia, a Alemanha, o Japão, a África e as Índias, como mais ninguém, as torturas de violentas comoções intestinas sacodem o jugo opressor das velhas formas de governo, impondo pela razão e mesmo pela força,  a sua independência político, social e econômica, ou então, contemplam horrorizados o desaparecimento sob as águas ou sob as cinzas, de grandes extensões dos seus territórios e de milhares dos seus habitantes.

3 – O Brasil participa das influências cíclicas terrestres, embora resguardado por uma pretendida situação privilegiada. Este privilégio não existe. Admitindo-se mesmo, por hipótese, a sua existência, ele só servirá para por em evidência a precocidade dos seus erros e dos seus vícios, que, como nação nova, imita inconscientemente das mais velhas e decrépitas. A sua grandeza é apenas física, material, oriunda da extensão e uberdade do seu território e das riquezas incalculáveis que ele encerra. A discordância aparente entre a exuberância vital deste país e a fraqueza da raça que o habita, não significa que esta seja indigna da casual oferta, mas, que a obrigatoriedade em praticar as virtudes relativas ao seu merecimento é a única condição de posse imposta previamente ao povo assim favorecido.

Dizem que quanto mais livre é um povo, mais feliz ele é. E sem analisarem esta afirmação, que por si só equivale a um compêndio da mais sutil filosofia, as histórias pátrias referem episódios comoventes de renúncia à vida, onde eram e são heróis, indivíduos que se dão em holocausto, que oferecem abnegadamente as suas existências, levando conscientemente para os túmulos a certeza de que o seu sangue, assim oferecido, possa resgatar uma nação oprimida.

Tristíssima decepção!

Não há independência mais e mais infeliz do que seja a do Espírito, esta centelha “mater” que vivifica o Universo criado e que aprimora as obras que são executadas nas suas mágicas oficinas, dando-lhes sempre aquele cunho invariável de perfeição e de grandeza!

Felizmente, porém, o Espírito não se escraviza. Reflexo como é de Deus, a Absoluta Verdade, goza na Sua imaterialidade da mais completa e perfeita libertação. O homem, entretanto, que foi distinguido como o ser mais capaz de receber e transmitir aquele reflexo, não soube manter a pureza cristalina do espelho e conservar a lisura impecável da sua superfície. Este espelho é o nosso corpo físico e a sua alma correspondente. Manchado pelos vícios e carcomido pelas paixões que o atacam, reduz ele aos poucos o seu poder refletor, perdendo completamente o brilho cintilante das suas irradiações! Não fica, assim, escravizado o Espírito, mas, e o que é pior, fica poluída a sua alvura imaculada!

Temos, porém, como individualidade social, a nossa liberdade restringida. Sujeito ao cumprimento de uma multiplicidade de deveres que a vida coletiva nos impõe, o homem aumentará tanto mais a sua liberdade quanto mais permitir que a do seu semelhante se amplie. E o limite máximo da sua elasticidade é dado pela fórmula: “de que a liberdade de cada um termina onde começar a do outro”. Ora, sendo a liberdade, o poder que tem todo o homem, de fazer tudo aquilo que deve, é imprescindível que este poder e este dever, sejam regulados pelo respeito e pela tolerância.

Falta a esta filosofia agora aqui emitida, a essência científica e o espírito religioso que a consagrem como tese para discussão. É do nosso dever tolerar que cada pessoa que a quiser discutir, escolha uma das pontas do dilema: “ser, pela posse e pelo uso desta liberdade, um Escravo dos homens na terra ou um Senhor dos anjos no céu”.

5 – Iludem-se redondamente todos os homens que supõem usar a sua liberdade, fazendo tudo o que devem. Nem de outra fonte surgiu a ideia do Direito. Desde que realizando um ato volitivo, atropelamos ou diminuímos a liberdade de alguém, criamos para este alguém o direito de reação. Este atentado à liberdade alheia e a consequente defesa desta pelos vitimados, generalizando-se do indivíduo ao povo, e do povo às nações, geraram as guerras e as revoluções, esta febre de sangue e de extermínio que reduziu o homem à mais baixa condição da série animal, comprometendo seriamente a sua reputação de homo-sapiens.

Mas não é tudo ainda. Empanando a transparência luminosa da sua inteligência, emprega, o homem, todos os esforços para corrigir e adaptar, segundo as fantasias do seu mórbido raciocínio, as leis e os ditames da Natureza. Assim, por exemplo, não lhe bastando a já difícil e dispendiosíssima civilização, inventa ele, diariamente, os mais complexos e disparatados costumes sociais, inverte o dia pela noite, alimenta-se consultando o seu extravagante e embotado paladar, usa e abusa dos alcoólicos e narcóticos, impõe-se à exibição de uma indumentária esquisita e torturante, em desacordo sempre com as condições higiênicas e do clima do seu país, seja por excesso, seja por deficiência; em suma, regula a sua vida pública e privada, pelos manuais da “moda e do bom tom”, vindos “de carregação” pelo primeiro vapor dum país estrangeiro qualquer…

E se quiséssemos prosseguir, citando, o que diríamos da mulher brasileira exposta ao perigo contagioso desta tão apregoada civilização? O que diríamos da sua boa-fé, sempre atraída pelos falsos ouropéis de uma falsa liberdade, que procuram conquistar avidamente, palmo a plamo, à custa, só Deus sabe, de que grandes e vexatórios sacrifícios? Como deveríamos classificar e entender este seu progressivo e cada vez mais acentuado afastamento do “lar” e a sua aproximação vertiginosa do “mundo”, em cujo turbilhão de vícios e paixões masculinas, se deseja precipitar? Com que pesar não falaríamos, agora, do banimento do seio da família brasileira, dos saudosos e agradáveis serões de música melodiosa e calmante, e de danças elegantes e honestas, para dar-se lugar à epidemia bombardeante dos latoeiros e às danças de desarticulação e de bamboleios trotados e colados?

Poderíamos, ainda, nesta Mensagem, falar com linguagem limpa e decente, do famoso carnaval brasileiro? Que poderíamos recapitular de proveitoso e útil ao “povo brasileiro”, destes três dias de indescritível loucura, deste período completo de licenciamento, incompreensivelmente tolerado pelo governo, pelo clero e pelo povo? Seríamos ouvidos imperturbavelmente e com serenidade, por todos os apologistas desta festa de origem pagã, perfilhada carinhosamente pelos países essencialmente católicos?

Respondam-nos os senhores chefes de família, responda-nos a mulher brasileira, guarda avançada da honra das suas tradições, anjo tutelar da inocência dos seus filhos e da pureza do seu lar, onde, como num Santuário, não devem ser escritas nem pronunciadas quaisquer palavras, senão pelos que sejam os seus naturais e legítimos sacerdotes!…

5 – Relembrando a vida artificial que a própria humanidade constrói, envenena e falseia, para ser a primeira a sofrer as suas horríveis consequências, temos somente em vista frisar a inutilidade deste complicadíssimo mecanismo social lubrificado de quando em vez com o óleo da civilização, pois do contrário as suas rodas ficariam perras e enferrujadas. Raras são as descobertas humanas que, alardeando prerrogativas intelectuais e morais dos seus descobridores, não terminem por cobri-los de opróbrio, tais foram os fins hediondos a que tais descobertas mais tarde se destinaram.

A “neurose” do homem é destruir; quando faltam os motivos, existem os pretextos…

O maior de todos os pretextos para a destruição é: “a guerra”. No entanto, era necessário animar o ardor dos combatentes, pois repugnava-lhes matar sumariamente e sem preâmbulos, os seus semelhantes, sem causa gravíssima que “justificasse” o homicídio. Nasceu, então, a convenção de chamar-se “assassinos” aos homens que na paz trucidam os outros homens, e “heróis” aos que na guerra fazem a mesma cousa.

Não houve até hoje, “lógica humana” ou “castigo divino” que impedissem o massacre humano. Congressos de Paz, de Arbitramento, de Consultas e de Tutelas (!) têm sido inócuos e… íamos dizer: contraproducentes. O Congresso, agora conhecido sob o nome de “Liga das Nações” (o maior de todos eles, pelos seus fins), enquanto legisla as condições do armistício solicitado, vai assistindo com surpresa e de braços cruzados ao alastramento do terrível e prolífero “morbus” da guerra, contaminando as nações que ainda não o foram na Conflagração européia, e acabando de carcomer as que ficaram arfando no seu estado de coma. Não é mais pelo insulto das nações entre si ou pela conquista de terras alheias que se trucidam mutuamente cidadãos armados. Basta que um país qualquer escravizado tenha ímpetos de independência e liberdade, correm os seus tutores imediatamente, para conter-lhes aqueles pruridos de “barbaria”, oferecendo-lhes uma “civilização” que eles não podem recusar…

É então nos transes mais dolorosos desta vida, convulsa e efêmera, neste caos em que o homem não mais se reconhece como a imagem do seu Creador, pois apenas se vê através  ou no reflexo dos seus semelhantes, como uma ridícula caricatura em que se descobre o aspecto nobre e sublime da missão religiosa. É no quadro tétrico da Miséria geral, sempre emoldurada de sangue e fumaça, que se percebe a angélica figura da Fé, levando o bálsamo suave e confortador da Caridade, nas pessoas dos seus sacerdotes. Aqui, é o padre levando o pão ao órfão faminto, a irmã de caridade impondo o crucifixo nos lábios do moribundo, para que aquele ósculo de amor também seja de perdão; ali, o pastor consolando os aflitos, difundindo a luz do espírito que salva e esclarece, mais além, o espírita fazendo o mesmo por processos outros e em diferentes meios; adiante, os positivistas, realizando com exemplos a edificação do Monumento Social, em cujo lema o AMOR é o princípio de todas as cousas e o Progresso o fim de todos os seres. Em suma, teosofistas, espiritualistas, ocultistas, etc, etc, etc, concorrendo, a seu modo e a despeito de todos os sacrifícios e decepções, para que sejam enxutas todas as lágrimas, para que se diminuam todas as dores, para que se esclareçam todas as mentes, confraternizando os homens num amplexo de paz e solidariedade, evitando qualquer vibração dissonante na Harmonia das Esferas !

Glória, pois, a tais Apóstolos da Luz! Hosanah, a estes Sacerdotes das Cores! A todos vós que servis à Única Religião sob cores diferentes, fazendo convergir a policromia variegada e deslumbrante dos seus raios para o Disco Alvinitente da Verdadeira Luz Branca, o nosso respeito e a nossa sincera admiração nesta “Mensagem” de AMOR, de Paz, de Luz, e de Progresso!

II

“Quando se busca a Verdade, não se contam os sulfrágios”. Leibnitz   “As maiores Verdades, são também, de certo modo, os maiores absurdos”. Proudhom   “Há uma só VERDADE, embora os homens lhe dêem nomes diferentes”. RIG-VEDA  

6 – Orientados por Ela e para Ela, publicamos esta Mensagem! Mensagem que por dizer a VERDADE, despertará o amor próprio dos que procuram velá-la ou encobri-la, descrevendo a malícia das suas intenções.

“Verdade” que mostrada em toda a plenitude de sua nudez, encorajará a pudicícia estudada dos hipócritas, afirmar ser Ela a proclamação dos maiores absurdos e a recusar assentimento à Sua divulgação. Mas não importa, “Dhâranâ” sabe e diz bem alto que a “Verdade” é uma só, embora apresentada pelas conveniências sociais e pelos preconceitos dos intolerantes, com nomes diferentes e várias personalidades.

Os preconceitos e a intolerância, serão reduzidos às suas verdadeiras proporções, disfarçados como se acham sob as máscaras do “orgulho”, da “ambição”, do “egoísmo” e da “vaidade”. Estes quatro “Flagelos” que a humanidade idolatra como sendo os reguladores do seu falso equilíbrio. Quatro cancros cruéis e incansáveis, empenhados vivamente na corrosão minaz do aparelho social! São eles que escravizam as humanas criaturas, dissolvendo-lhes a vontade, reduzindo-lhes cada vez mais as condições já precárias de existência do planeta!

Sessenta anos de existência dão hoje ao homem, o qualificativo de macróbio. Denomina-se este período de tempo, de idade avançada! No entanto, tal macróbio não viveu mais de 20 anos, em três etapas distintas de trabalho, folga e repouso. Oito horas para cada fase em que se descontam ainda a infância e a adolescência, quando o seu cérebro não possui capacidade para pensar com retidão, nem a sua alma desenvolvimento consciente para “querer”. Reduzida ainda, como se viu, a sua etapa de “folga”, dela o homem deve descontar também o tempo de moléstias, de viagens, de divertimentos e de mil e uma futilidades, inclusive a de pensar no que ele é e no seu destino no Planeta… Que tempo dedicaria um homem medianamente instruído, para resolver esta “tolice”? E ao morrer, com a convicção de ter de prestar contas a Deus (pois que todos morrem levando tal convicção) do que fez de útil a si mesmo e aos seus semelhantes, recordando-se de “todo mal que fez e do bem que deixou de praticar”, como partirá para o ALÉM a alma dessa criatura? Pode-se avaliar perfeitamente sua tranquilidade ou a sua aflição, em relação à vida que a espera post-mortem, pelo CARÁTER que tal criatura soube dotar a sua personalidade.

Pelo caráter subentende-se o apreço que o homem dá aos seus deveres e o “ambiente”, a “atmosfera” de repulsa ou simpatia que ficou “em torno” da sua memória. Morre um homem potentado e ninguém indaga qual foi a sua religião, a sua política, a sua nacionalidade e a sua origem, mas o “bem” que fez ao seu próximo enquanto vivo. Ora, se esta curiosidade preocupa tão intimamente os que ficaram, é porque, realmente, ela é digna de respeito e consideração. Se nenhum opulento leva para a tumba os bens térreos que possuiu, se dinheiros e propriedades vão constituir a herança dos novos donos, porque não cultivamos com mais interesse e carinho a formação do nosso caráter, “deixando e levando”, quando morrermos, uma fortuna considerável que a todos aproveitará? Em piores condições julgamos o que é orgulhoso.

Se alguma vez na vida se admira de alguma cousa, é “a sua promiscuidade com a gentalha que ele odeia e não suporta”, para dali a instantes, ficar espichado na mesma terra dum mesmo cemitério, tresandando na mesma podridão e roído pelos mesmos vermes… e justamente ao lado dos “mesmos” corpos físicos das pessoas cujo contato fê-lo estrebuchar com aquela careta característica de quem traz permanentemente sob as vendas, essência legítima das sentinas imundas.

No entanto, se nós lhe perguntássemos o que ele entende por “gentalha” talvez não respondesse. E poderia mesmo impressionar-se se lhe disséssemos que “gentalha” é esta multidão pobre e humilde, que no intenso labutar diário, na conquista da mísera moeda que lhe permita enganar o corpo, quando este sente frio e fome, prepara os custosos vestuários, as riquíssimas carruagens e os manjares esquisitos, que permitam ao homem orgulhoso, não se promiscuir com tão “baixas criaturas”.

Gentalha, são milhões de “trapos humanos” espalhados pelo mundo, que insultam os acariciados pela sorte, com a sua impertinência de querer dispurtar-lhe o teto, a luz e o pão! Gentalha, são estas legiões de famintos e esfarrapados, que irmanados pela mesma miséria e enxotados pela vaidade humana, que para eles legisla com despotismo e crueldade, ajudam-se reciprocamente como podem, repartindo as suas migalhas pelos outros que nem isto têm. Gentalha, são as vítimas indefesas dos quatro demolidores do Edifício Social. São os desgraçados que tendo perdido todas as esperanças de felicidade na vida, vão afogar as suas desventuras num copo de cachaça ou buscar na voluntária imbecilidade o almejado embrutecimento que os faça esquecer a sua qualidade de humanos.

Com este passo, acaba-se a tragédia da vida, para dar lugar à apoteose final: as neuroses, os crimes, os hospitais, as prisões, os manicômios e finalmente a morte. Desse modo, orgulhosos e humildes, vivem na Terra a etapa restrita às alegrias; só nivelando entre si, quando as pandemias e as pestes obriga-os ao reconhecimento da sua nulidade como matéria.

7 – De que valem, pois, as contínuas pregações de Amor e de Fraternidade, se tais discursos devem ser praticados e não somente ouvidos e lidos pelos que não cedem uma linha, na sua conduta egoísta e ambiciosa? Como amanhar estes terrenos sáfaros, a fim de que germinem, floresçam e frutifiquem as sementes benditas da Paz Universal? Curvam-se amedrontadas as humanas criaturas, quando contemplam a obra infalível da chegada dos tempos. E querem aplacar o que elas, na sua ignorância, classificam de “cólera divina” por meio de procissões, mortificações, jejuns e preces pelas ruas!

Mas o Pai Celestial é AMOR, não é “cólera” – é BENÇÃO e não “maldição” – é HARMONIA e não “discórdia” – é VERDADE e LUZ e não “mentira e trevas” – porque não procuram, de preferência, pelo AMOR – os acovardados com os efeitos dos tempos chegados – iluminar as suas almas para compreenderem a VERDADE?

Temos o dever de anunciar que, efetivamente, os tempos que se esperavam já chegaram… Estamos neles e neles vamos desenvolver a nossa atividade, definindo sem subterfúgios e conscientemente, a nossa situação. Somos nós, homens, que criamos este ambiente de horror e desespero que após queremos conjurar com palavras e atos, mas, que por esse meio não ficará destruído. É o tempo, portanto, de voltarmos as nossas vistas para os assuntos que consultam ao progresso espiritual dos homens. Devemos procurar os caminhos que nos conduzem àqueles conhecimentos e pedir o auxílio dos que podem prestá-lo com vantagem e segurança. No Oriente, encontramos a sabedoria Filosófica e Religiosa que difunde pelo mundo inteiro os ensinos teóricos e práticos, para o estudo da Ciência Eterna e Sagrada. Quando o Príncipe Sidharta apareceu nas Índias para esclarecer os pontos controversos das especulações doutrinárias, as suas palavras não foram de pronto compreendidas. Os “brahmanistas” e os “saakyas”, os “vedantistas”, etc, não puderam admitir que Sidharta pusesse de lado a “forma” das suas doutrinas e desejasse tão somente a divulgação da sua essência.

Do mesmo modo, que seiscentos anos mais tarde, Cristo condenava a malícia, a hipocrisia, o egoísmo e o formalismo dos fariseus, doutores da lei, que nas Sinagogas só procuravam interessar ao povo rude e humilde nas cerimônias externas do culto, e em uma igreja que não era a sua, calando completamente a interpretação esotérica dos textos e dos rituais. Sidharta também censurou nos “brahmanes” o seu apego radical à letra dos evangelhos, a preocupação pelas formalidades litúrgicas e o exclusivismo egoístico das suas práticas, criando o privilégio das castas e as regalias antifraternais que desfrutavam. Sidharta explicava que as especulações a respeito de Deus não deviam ser feitas por aqueles que nem sequer sabiam o que era o mundo e o que era o Homem.

Se este ignorava até a causa do seu próprio sofrimento, como pretendia penetrar nos arcanos da vida do Creador? E dizia: “a causa do sofrimento é o DESEJO de viver e gozar as delícias do mundo e, em última instância, a IGNORÂNCIA de que este desejo procede. O meio de abolir esta ignorância e, por conseguinte, o de abolir também o sofrimento, é a aniquilação deste desejo, renunciação ao mundo e o MAIS ILIMITADO AMOR A TODAS AS CREATURAS”. Sidharta estabelecia como ponto de partida deste AMOR, a afeição filial. O AMOR MATERNO era a síntese de todos os outros, e achava dificílimo que de um mal filho pudesse provir um HOMEM DE BEM…

E à medida que Sidharta espalhava os seus ensinos, iluminava com a sua sabedoria os caminhos que conduziam à VERDADE, vindo-lhe daí o cognome “BUDHA”, que quer dizer “ILUMINADO”.

Ser “Budha”, portanto, é ter realizado esta iluminação e compreendido o alcance da sua doutrina, praticando-a com perseverança e com esclarecida consciência. Eis porque nas Índias os grandes iniciados são denominados “Budhas”, ou seres que conseguiram, pela perfeição intensa do seu caráter, realizar a conquista suprema da Espiritualidade, ou seja, atingir quase o término da sua paciente e acidentada peregrinação.

As várias maneiras de cada um expressar o culto externo da sua religião dependem da época e do preparo intelectual da humanidade. As religiões também evoluem, acompanhando pari-passu o avanço progressivo dos povos. Os próprios Instrutores da Humanidade comparecem à Terra segundo as necessidades desta.

Moisés veio evangelizar um povo corrompido pela idolatria. Era natural que empregasse no momento os meios indispensáveis para chegar a seus fins. Passando a fio de espada os idólatras e quebrando indignado as Tábuas da Lei, nem por isso deixou de ser o Grande Iluminado que todos nós reconhecemos. Tampouco isto o impedia de manobrar, como ocultista que era, as Forças da Natureza, fazendo jorrar água do monte Horeb e separando as águas do Mar Vermelho para dar àqueles homens ingratos, insatisfeitos e murmuradores, a posse de uma Pátria!

Para a Grécia veio Orfeu, mavioso e sonhador, com a arte mágica de arrancar da sua Lira, arpejos melodiosos que comoviam e faziam gemer as próprias pedras!

Jesus, o doce e meigo rabino, deixou-nos a história emotiva do seu nascimento, vida, paixão e morte, onde a humanidade atual procurar tecer os seus deliciosos ideais de regeneração, de amor, de fraternidade… Esbofeteado numa face, Ele apresenta ao réprobo a outra, dando-nos o mais sublime, o mais edificante, o mais incompreensível exemplo de cordura e de resignação!… O que fez Ele, porém, quando os vendilhões do Templo prostituíam a “Casa de seu Pai”? Vergastou-lhes as caras, expulsando-os de lá, fremente de santa indignação. Por que este gesto violento, que contrasta, à primeira vista, com a Sua Infinita Humildade? Por que a Obra de Seu Pai era Divina, era a VERDADE ETERNA e INFINITA, que para aparecer rutilante e majestosa, põe abaixo todo um sistema planetário, quanto mais uma centena de traficantes!…

E assim, sucessivamente, vão aparecendo e desaparecendo religiões, vão surgindo e submergindo continentes, vão nascendo e se transformando as raças. Tudo isso, porém, é imprescindível como aparelhamento para desobstruir, preparar e iluminar os caminhos que nos conduzem ao conhecimento da VERDADE. E todos estes sistemas filosóficos que nos servem de intérpretes para a função religiosa, vão passando pelo mundo como velharias após terem preenchido todas as formalidades, como razão de ser da sua época. O que hoje se propaga como a última palavra da essência religiosa, como sendo a última Vontade do Pai Celestial, é, com efeito, o foco luminoso que nos conduz até Ele. Amanhã, porém, tudo isto estará no rol das velharias, por já ter aproveitado a evolução das raças, ajudado o progresso da humanidade atual e já haver outros faróis de maior potência luminosa que continuarão a sua grande Obra.

8 – Eis porque “Dhâranâ” vem propor a todos os brasileiros uma fórmula conciliatória de felicidade mundial: respeitar todos os credos, tolerarmo-nos reciprocamente e fazer ao nosso próximo o que queremos que ele nos faça. Não é nova a idéia proposta, nem abre precedentes na história das Religiões. Gesto sublime de audaciosa tolerância para os graves momentos do progresso humano, teve AbdulBaha (Abbas Effendi), prestigioso Chege do movimento “Bahista”, quando num domingo de Setembro de 1912, visitando um templo de Londres, e após o sermão do reverendíssimo Campbell, dirigiu-se ao púlpito e sobre a Bíblia aí depositada para a pregação, escreveu as seguintes palavras: “Este é o livro santo de Deus, de celestial inspiração, é a Bíblia da Salvação, o nobre Evangelho. É o mistério do Reino e sua luz, é o dom divino, sinal do governo de Deus”. (Assinado) Abdul-Baha Abbas.

Este gesto impressionou e comoveu profundamente à assistência. Um mulçumano em um templo cristão falando aos fiéis da VERDADE, do ESPÍRITO SANTO, o DEUS DA PAZ!… demonstrando publicamente a maior prova de amor e tolerância. Exemplo edificante dado aos homens para que terminem as suas lutas e rivalidades, baseados em meras diferenças de forma, quando em todos os corações mora o mesmo Deus e em todas as mentes brilha a mesma Luz do Verbo.

Demos também nós, na altura das nossas forças e coragem, uma prova concreta de igual amor e de fraternidade. Poderá ser suspeitado de desejos inconfessáveis quem pede o auxílio dos homens para a prática intensiva e sincera do amor, da paz e da perpétua confraternização, que nos assegure os poucos momentos de felicidade a que temos direito na terra? É possível que sob esses auspícios volte a Paz à Família Brasileira e já seja discutível a idéia da realização desta apregoada Fraternidade Universal.

Pouca cousa é exigida como contribuição pessoal para semelhante desideratum. Basta que cada um, no sossego do lar, à noite, pense durante uns cinco minutos na PAZ deste planeta. Que no descanso reparador de suas lides, diariamente, seja dedicado um quarto de hora, pelo menos, para se falar na PAZ e a sua influência na felicidade da família e na HARMONIA do UNIVERSO.

“Dhâranâ”, como sociedade mental-espiritualista que é, considera o PENSAMENTO HUMANO a maior “força oculta” armazenada num potencial elevadíssimo na mente de cada um. Posta a vibrar sob a atuação da vontade e pela influência da FÉ, aquela “força” produz maravilhas extra-terrenas e imprevistas pelas ciências naturais, razão pela qual o mundo ignorante ou supersticioso denomina-as de “Milagres”.

Não é difícil conciliar o sono e dele despertar, convergindo o pensamento para este fator da própria felicidade pessoal. Onde reside o obstáculo único e principal desta proposição, é no descaso de sua prática, de sua execução. Ora, uma Mensagem para nos impelir e nos ensinar a “Pensar”!. Sim, caríssimos patrícios e prezadíssimos irmãos, apenas uma singela e desataviada Mensagem!…

Na América do Norte e nas outras partes do mundo, publicam-se volumes e mais volumes destinados a nos ensinar o PODER DO PENSAMENTO.

Onde “Dhâranâ” se afasta das sociedades congêneres que trabalham pelo mesmo ideal, é “na realização”, e não na “pregação” – é nos “fatos” e não nas “palavras” – ensinando o modus-faciendi deste simplicíssimo problema.

Como conseguiu a Índia homogeneizar o ambiente mental do seu país e dos seus habitantes? Pela concentração e aplicação do “pensamento”. Onde foi o inesquecível e saudoso Presidente Wilson buscar a força poderosa e invisível, com que na América do Norte pode favorecer a cessação das hostilidades e o terminar da conflagração européia? Na concentração e aplicação do “pensamento”, dirigindo uma Mensagem ao seu povo, na qual determinava que diariamente, às 12 horas em ponto, fossem suspensas todas as atividades por cinco minutos e que durante este tempo, “pensassem todos” na deposição das armas e na PAZ UNIVERSAL.

Woodrow Wilson foi aquele “utopista e visionário”, que na Europa tomou parte no “Congresso de Arbitramento” e que apresentando os seus célebres 14 princípios para a aceitação de uma Paz honrosa, conseguiu apenas pasmar aqueles tigres ainda sangue-sedentos e desvairados pelos lucros do saque e da pilhagem, com a ingenuidade da sua proposta: “uma paz sem anexações e sem indenizações”. A tanto se reduziam os 14 itens do seu memorável trabalho, que a história guardará com zelo e ufania, pois ele, sozinho, realça com eloquência e com glória a visão imponente de um Espírito e a grandeza generosa de uma raça!…

9 – A tolerância religiosa para o estabelecimento da liberdade dos cultos, não basta por si só para assegurar esta liberdade. É imprescindível ainda o “respeito”, neste é que reside a verdadeira virtude. Pio X, o Pontífice bondoso e inteligente, culto e evoluído, cuja lembrança a humanidade conserva com admiração e saudade, deu ao mundo inteiro, e principalmente aos fiéis da sua igreja, este exemplo de respeito e tolerância, que aumentou consideravelmente o prestígio do catolicismo. Quanto mais acesa e crepitante estava a fogueira da guerra européia, pediu o santo velhinho aos chefes de todas as religiões e aos crentes de todos os credos, que “orassem ao Pai Celestial, rogando a cessação das hostilidades e o restabelecimento da Paz Universal… “ era somente pela elevação do PENSAMENTO até Deus que tal pedido, porém, podia ser cumprido.

Não fosse Lourenço Sarto um Papa culto e evoluído… Outrora, a cegueira e o fanatismo, erguendo nas praças públicas as fogueiras regeneradoras da fé católica ameaçada. Hoje, os mesmos príncipes da Igreja contemplando a contaminação rápida das fagulhas por todo o orbe terráqueo, mandando apagar os incêndios do ódio e da intolerância com a água redentora e puríssima da FÉ UNIVERSAL…

Morrem as pessoas, desaparecem as coisas, extingue-se a matéria, mas a essência espiritual que produz a tal virtude que transporta montanhas é imortal. Foi o Mestre dos Mestres quem nos assegurou a imortalidade da Fé, dizendo que “onde estivessem duas ou mais pessoas reunidas em Seu nome… aí estaria Ele”… FILHO DA VERDADE, por ser dela uma partícula, Jesus é a VERDADE mesma e todos nós temos na consciência, o santuário próprio para a instalar. Se o altar está purificado e se a crença em Jesus (este Budha Celeste), permanece firme, conseguimos achar a VERDADEIRA RELIGIÃO…

A ignorância e a preguiça são os principais “impecilhos” à prática da tolerância e do respeito que nos merecem as crenças alheias.

A religião “A” supõe ou pretende que o seu Deus é melhor e superior ao da religião “B”. E os adeptos desta tratam aos daquela com compaixão e desprezo. E por mais que se lhes diga que tal procedimento está em desacordo com a moral dos Evangelhos e que estes continuam como um caminho para a VERDADE, teimam eles em afirmar que conseguiram já chegar ao fim e atingi-la. Nem mais um passo para a frente… e se insistindo, lhes mostramos, só por curiosidade, a continuação da vereda tornamo-nos os objetos dos seus sarcasmos e antipatias, e não raro, de suas insólitas agressões. É a manifestação ostensiva da maldita vaidade humana!

Aos que, porém, praticam humildemente os preceitos evangélicos de amor e de caridade, faltam geralmente a sede de luz e as ânsias de perfeição. Luz que o Creador concede até ao estado de deslumbramento! Perfeição que Ele dá até a culminância da DIVINDADE!… São bondosos, são fraternais, mas não querem mais iluminação. Tendo direito a muito, contentam-se com pouco, pois desse modo poucos serão também os seus deveres. Lembram a cada passo, a máxima cristã: “ao que muito se deu, muito se exigirá”… e por voluntária indolência, reduzem ao mínimo a parcela das suas responsabilidades…

No entanto, nenhum deles se lembra de que a nossa marcha para a perfeição é contínua e obrigatória, por ser um compromisso assumido desde quando nos reencarnamos. A princípio, não nos recordamos deste pacto solene, mas as sucessivas reencarnações vão nos trazendo, paulatinamente, primeiro a desconfiança, e depois a certeza da obrigatoriedade do contrato. A demora do seu cumprimento retarda a boa marcha dos negócios espirituais e as leis inexoráveis da Natureza, que fiscaliza com rigor os nossos atos, consigna a indiferença como a causa da demora, na satisfação do grande débito.

Retroceder não é possível, parar não é permitido – só há uma solução: é Prosseguir.

10 – A Sociedade “Dhâranâ”, por meio desta “Mensagem”, convida a todos os brasileiros a iniciarem e a prosseguirem a grande viagem para a realidade dos seus únicos Destinos. Sem princípios filosóficos preconcebidos, onde sejam calcados os seus ensinamentos, ela recebe os raios coloridos de todas as religiões existentes, fazendo-os convergir na lente poderosíssima da VERDADE, para obter a síntese de todas elas ou a LUZ BRANCA pura e alvinitente.

Se o Budhismo fosse de fato uma religião, em toda a plenitude do vocábulo, a Sociedade “Dhâranâ” não hesitaria em perfilá-la, atendendo à pureza dos seus ensinos, à elevação das suas exigências e à fraternidade dos seus costumes, sendo, portanto, um conjunto harmônico de focos luminosos que iluminam os caminhos da morada do Nosso Pai Celestial. É, como já vimos, uma “filosofia científica e religiosa”, que nos torna ILUMINADOS…

Para nós (ocidentais), talvez tenha o Budhismo o defeito de não ser “parisiense”, mas deveis ter sempre em mente que a Filosofia do Espírito nasceu nas Índias. Sim, é um país de contrastes: teve um Budha, mas gerou, também, um Charvack. Ali existe abundâncias e esterilidades, riquezas de Rajahs e misérias de párias, há luzeiros que deslumbram e trevas que cegam. É o país dos iogues, mas também o é dos faquires…

Ora, são os nossos próprios Mestres do Oriente quem nos adverte da diferença de seus homens. O Iogue é o homem espiritual iluminado que não exibe os seus poderes. O faquir é aquele que ostenta a sua potência psíquica e não demonstra uma genuína espiritualidade. E para desenvolver esta espiritualidade, é imprescindível um combate metódico, mas enérgico, às nossas paixões, aos nossos vícios, à nossa ignorância, aos nossos impuros desejos. E o principal trabalho consiste, portanto, em moderar todas estas tendências, enfraquecendo as suas raízes, sem as destruir totalmente, pois os desejos assemelham-se às brasas, que se extinguimos repentinamente, ficam adormecidas sob as cinzas à espera de um sopro mais áspero da brisa que as faça recrudescer impetuosas e céleres.

A existência humana é uma sucessão de hábitos. Conserva-los melhorando até extirpar completamente os maus e aprimorar radicalmente os bons, é a árdua e gloriosa tarefa que nos foi imposta e que será levada a efeito no laboratório alquímico do nosso pensamento. Depende da habilidade e do jeito maneiroso dos operadores o bom êxito da temerária transformação. Esta é, pois, a Mensagem de Paz, de Luz e de Progresso, que “Dhâranâ” lança ao Povo Brasileiro. Mensagem que enviamos aos praticantes de todas as seitas, aos filiados de todas as Igrejas e aos que, finalmente, não tenham nem igreja, nem religião.

Os pais de família examinem o sentido destas palavras e, com rigor, julguem da sua oportunidade. Que os nossos jovens patrícios de ambos os sexos, reformadores do conceito calamitoso que pesava sobre a nossa raça, como sendo de doentes, incapazes e macaqueadores, o sejam também desta calúnia mais pesada, que nos faz passar aos olhos do mundo inteiro, como sendo um povo sem mentalidade, sem cultura e sem ideais, para chegar ao nível das raças que se impuseram à veneração dos pósteros, pela luta, pelo trabalho e pelo esforço!

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